América do Sul descobriu 100 bilhões de barris de petróleo na última década

Associação Latino-Americana de Integração Petroleira (ALIP)Na última década, foram descobertas reservas estimadas em cerca de 100 bilhões de barris de petróleo na América do Sul, levando os especialistas a acreditar que a região pode se tornar autossuficiente. O dado é do diretor executivo da Associação Latino-Americana de Integração Petroleira (ALIP), engenheiro petróleo Nicolás Honorato. A ALIP foi criada em 2009 para atender à crescente demanda de profissionais do ramo e para a troca de informações sobre o uso de tecnologia com o aumento das descobertas de petróleo na região. “Quase todos os dias são anunciadas descobertas de petróleo na América Latina. E a América do Sul vive momento histórico, porque além das descobertas convencionais surgiram o pré-sal, no Brasil, o gás de xisto, na Argentina, o aumento impressionante descobertas e produção de petróleo (convencional) na Colômbia”, disse Honorato à BBC Brasil. (Fonte: BBC – 17/12/2012)

O grosso das novas reservas, 80%, vem do pré-sal brasileiro. Os restantes 20% estão nos subterrâneos de países como Colômbia, Argentina, Bolívia, Equador, Uruguai, Peru e Paraguai. Na avaliação de Honorato, tais descobertas poderiam levar a região perto de se tornar autossuficiente. Tal opinião é compartilhada pelo ex-secretário Energia Argentina, Daniel Montamat, e o ex-vice-ministro da Bolívia, Carlos Alberto López. Além das descobertas de novos campos, eles também creditaram a previsão otimista à estabilidade econômica e política da região, apesar anúncios recentes nacionalização empresas estrangeiras, como foi caso YPF, controlada pela espanhola Repsol, na Argentina. Segundo Honorato, prova do potencial da região é o interesse demonstrado pelas empresas estrangeiras.

Para o especialista, muitas delas têm mirado América do Sul já que a produção em outras regiões do planeta, como no Mar do Norte, está em queda. “Todos os olhares do mundo petroleiro estão voltados para a América do Sul e para América Latina em geral por ser uma das regiões que mais tem anunciado descoberta reservas estimadas de petróleo”, destaca. Reservas do pré-sal brasileiro foram descobertas durante governo Lula. Para Honorato, grande parte do sucesso da região poderá vir do Brasil. Segundo ele, caso as reservas do pré-sal brasileiro, estimadas por ele em 80 bilhões barris petróleo e pelo governo brasileiro entre 70-100 bilhões barris, sejam realmente confirmadas, o Brasil passaria a ser o sexto país com as maiores reservas da matéria-prima no mundo, atrás de alguns países Oriente Médio e da Venezuela. Atualmente, Brasil tem reservas estimadas em aproximadamente 13 bilhões de barris, de acordo com a agência de energia dos Estados Unidos, e ocupa a 14ª posição mundial. Para López, da Bolívia, o segredo exploração ouro negro está no uso da tecnologia cada vez mais avançada. “A aplicação de novas técnicas e condições geopolíticas nos permitem dizer que ser uma região autossuficiente já não é mais apenas um desejo. Só não sabemos quando ocorrerá”. Daniel Montamat concorda e diz acreditar que a tecnologia será “decisiva” para que a região passe a ser potência petroleira. “A região como conjunto não é potência de petróleo e de gás porque reservas ainda precisam ser desenvolvidas”. “Mas Venezuela, por exemplo, por si só, já tem mais reservas provadas do que a Arábia Saudita”. Dados de 2011 da OPEP indicam que a Venezuela possui reservas estimadas em 297,5 bilhões de barris, enquanto as da Arábia Saudita alcançariam 265,4 bilhões de barris.

Recentemente, lembraram os especialistas, Uruguai e Paraguai anunciaram ter encontrado petróleo em seus territórios, apesar de o quadro ser ainda embrionário. Honorato também lembrou que a estabilidade política e econômica conquistada pela América do Sul nos últimos anos ajudou a atrair o interesse de empresas estrangeiras do ramo do petróleo e gás. “Empresas, principalmente, da Europa e do Canadá estão se orientando para a América do Sul e este movimento começou antes do pré-sal”. Para Honorato, a estabilidade econômica e política contribuiu para atrair empresas de óleo e gás. Apesar de ter mencionado o atraso nos leilões do pós-sal e do pré-sal no Brasil, Honorato afirmou que a situação hoje na região é muito mais favorável ao capital estrangeiro do que antigamente. Um dos exemplos, segundo ele, foi a Lei do Petróleo no Brasil, que acabou com monopólio da Petrobras, assim, permitiu exploração de campos por empresas estrangeiras. Honorato mencionou também que, em 2005, Colômbia mudou seu marco regulatório, despertando uma espécie “corrida ao ouro negro” do país. A expectativa é de que o país deixe de ser importador e passe a ser exportador de petróleo e, assim, como ocorre com Venezuela e Brasil, passe a desfrutar as maiores receitas geradas pelo combustível. Segundo ele, Equador também mudou marco regulatório e aumentou a chegada de investimentos no setor petroleiro. Peru, na sua avaliação, é um país que “ainda não decolou” e registra uma produção abaixo dos 50 mil barris diários.

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Consultor Internacional

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